quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Comer, Rezar e Amar



Palavras-Chaves:  Viagem – Busca do Divino – Itália – Índia - Indonésia – Espiritualidade – Prazer – Meditação – Iogue – Religião – Deus – Amor – Pensamentos – Coração – Depressão – Solidão – Divórcio – Amizade – Universo – Sábios – Xamã – Equilíbrio – Silêncio – Yoga – Disciplina. 

Adentrar em um livro pressupõe um caminho misterioso, não sabemos o que vamos encontrar ao decorrer das páginas, o que o livro irá nos ensinar. Aprendi a amar ainda mais a Itália, a Índia e a conhecer bem melhor a Indonésia. Elizabeth Gilbert, mais conhecida por Liz, nos leva a uma viagem histórica e de autodescoberta de uma mulher que passou por períodos depressivos e solitários constantes e que com a autorreflexão e a busca do divido tenta se recuperar e renascer. Ela resolve largar o casamento fracassado, uma bela casa em Nova Iorque, projetos de futuros filhos e um namorado que ela amou demais, para buscar seu Eu Supremo, seu Deus interior. 

Liz quer ao mesmo tempo ter os pés na terra, contemplar os prazeres mundanos, mas encontrar o divino através da meditação, da paz, do equilíbrio.‘’Deus é uma experiência de amor supremo’’. A primeira parte do livro se situa na Itália, onde ela explica as causas e consequências que a levaram a dar partida nessa jornada espiritual, o porquê de ter escolhido esses três países como destinos, que começam com a letra ‘’I’’. Ela nos mostra uma Itália histórica, muito mais do que arquitetônica, interligando essas histórias a sua vida, passado e presente. Escolhe esse país porque sempre quis aprender italiano e viver o prazer de uma boa refeição na Itália. Ensina-nos de onde vem a língua italiana e a poesia embutida dentro dela. A coisa que Liz mais faz na Itália é comer, o que é mais do que justo depois de ter perdido tantos quilos com a separação; toda cidade que ela conhece na Itália faz a seguinte pergunta a algum morador ‘’Onde posso encontrar a melhor comida da região?’’

Na Índia fica em um ashram afastado de Mumbai, onde pessoas do mundo inteiro se inscrevem para participar de retiros, dias de meditação, devoção e oração. Encontra amigos sábios, como Richard do Texas, que de certa forma a guiam para o lugar que ela precisa estar. Liz nos ensina a entender melhor a prática do iogue, a etimologia das palavras, o porquê dessa prática ser tão importante para muitas pessoas encontrarem o seu Eu divino. E que essa prática é independente de qualquer religião. [‘’Nosso propósito nesta vida, portanto’’, escreveu Santo Agostinho, ele próprio um pouco iogue, ‘’é recuperar a saúde do olho do coração através do qual se pode ver Deus.’’] É todo um processo de purificação, de libertação dos pensamentos negativos, de cânticos em sânscrito, de meditação, para que se possa limpar o coração, se desprender da mente e conseguir alcançar Deus. ‘’Ó Krishna, a mente é inquieta, turbulenta, forte e irredutível. Eu a considero tão difícil de domar quanto o vento''A maior dificuldade para Liz era se livrar dos pensamentos negativos, da culpa por ter magoado seu ex-marido, por ter deixado David (seu namorado) mesmo o amando, mas o amor não bastava naquela relação. Ela precisava se desprender de tudo aquilo: da mágoa, do egoísmo, da culpa, da solidão e da depressão para conseguir chegar perto de Deus. Essa busca consiste em uma rigorosa disciplina, de acordar super cedo para meditação, comer comida vegetariana, participar de todos os cânticos. É uma luta consigo mesma. 

Após seu retiro na Índia, o próximo destino é a Indonésia, onde ela irá revisitar um xamã chamado Ketut Liyer, que encontrou há dois anos e que lhe disse que ela iria voltar para Indonésia e passar quatro meses ensinando inglês a ele, por conseguinte ele ensinaria seus mandamentos á ela. Pode-se perceber uma evolução espiritual da personagem, vemos uma Liz mais feliz, mais equilibrada, que sabe que para manter essa felicidade é preciso uma disciplina constante; então ela continua acordando cedo, praticando sua meditação e conversando com o seu xamã. Ela conhece pessoas maravilhosas, inclusive uma curadora chamada Wayan e Felipe, o brasileiro apaixonante.  

O livro consiste em Comer, Rezar e Amar, palavras dedicadas aos três lugares por onde Elizabeth passou. Apesar de repetitivo em algumas partes, não perde a emoção de acompanhar a evolução que todo ser humano almeja, uma evolução espiritual, parar de ver o mundo só com os olhos da mente e deixar que o coração assuma o controle em certas ocasiões. Uma lição muito importante desse livro é que todas as pessoas correm atrás da felicidade constantemente e creem que estão longe de alcançá-la, sem se dar conta de que ela está bem perto, ao nosso lado e que nós somos cegados pela rotina, pelas as relações obsessivas, pelos pensamentos negativos. O que nos resta é tentar encontrar o Eu Supremo dentro de nós mesmos, nos conhecer, saber que Deus faz parte da gente assim como nós fazemos parte dele.